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A jornada do Rafinha

O Rafael — nosso Rafinha — nasceu em 4 de abril de 2025. Esta linha do tempo foi montada a partir dos laudos e altas que guardamos em casa, contada com o coração aberto para outras famílias que chegam agora nesse caminho.

Linha do tempo montada a partir dos laudos e altas médicos que guardamos em casa (ressonância, EEG, VEEG, exames de sangue, ecocardiograma, entre outros). Aqui contamos a jornada em linguagem de família — sem substituir o acompanhamento médico.

4 de abril de 2025 Capítulo 1

Nasce o Rafinha

No dia 4 de abril de 2025 o Rafael — nosso Rafinha — chegou ao mundo: 38 semanas e 2 dias, por cesária agendada. A mãe do Rafinha tem SAAF gestacional e a gravidez não podia passar de 39 semanas; fizemos de tudo com cuidado para ele nascer bem.

Apgar 8/9. Correram todos os exames gestacionais e a ecografia com Doppler a cada 15 dias. Desde o primeiro mês de gravidez ela usou enoxaparina 60 mg, AAS e utrogestan.

Queríamos muito o peito, mas ele precisou ficar mais um dia internado porque ainda não pegava; a alta veio com fórmula e o coração apertado — e, mesmo assim, a sensação de que nossa vida tinha mudado para sempre.

1º de julho de 2025 Capítulo 2

Crises convulsivas e Santa Casa

Com pouco mais de dois meses, o mundo virou de cabeça para baixo. No 1º de julho entramos na Santa Casa por crises convulsivas que começaram de 3 em 3 horas. O Rafa foi direto para a sala vermelha da emergência — aquele medo que a gente nunca esquece.

A cada hora a situação apertava: 2 em 2 horas, depois 1 em 1 hora, até 20 em 20 minutos, até a equipe conseguir medicar. Fizemos ressonância magnética e veio o diagnóstico.

A neuro nos falou da malformação cerebral, avisou que as crises seriam de difícil controle e que poderíamos passar meses internados até estabilizar. Ficamos 3 dias; saímos com o nome da condição na cabeça e muita coisa ainda sem resposta.

Julho de 2025 Capítulo 3

Choro inconsolável e nova internação

Logo depois, ainda em julho, voltamos para a Santa Casa. O Rafa chorava sem parar — um choro inconsolável que parecia não ter fim, em uso de levetiracetam. A equipe tratou como possível choro neurológico.

Foram 5 dias vendo nosso filho sofrer sem saber como aliviar de verdade. Saímos exaustos, tentando entender o corpo dele remédio por remédio.

Julho de 2025 Capítulo 4

Neurocirurgião e nova pediatra

Enquanto os dias em casa ainda eram curtos e cheios de cuidado, buscamos caminhos. Consultamos o neurocirurgião Dr. Eliseu Paglioli, que pediu para refazer a ressonância no final do ano e pensar a cirurgia no verão — uma luz no horizonte, mesmo com medo.

Nessa mesma fase trocamos de pediatra, porque precisávamos de alguém que entrasse nessa jornada com a gente.

Com cerca de 3 meses · julho de 2025 Capítulo 5

Início das terapias

Com cerca de 3 meses de vida, começamos as terapias — fisioterapia, estimulação e tudo o que a equipe indicou. Parecia pouco diante do hospital, mas foi ali que passamos a celebrar cada avanço: um olhar que demora, um movimento novo, um dia um pouco mais calmo.

Agosto de 2025 Capítulo 6

Síndrome de West e Hospital de Clínicas

Em agosto o padrão das crises mudou de novo. Internamos no Hospital de Clínicas e ouvimos o nome Síndrome de West — mais um laudo para guardar na pasta, mais uma noite longe de casa.

5 dias depois viemos para o quarto dele com a sensação de que o tratamento nunca seria simples, só necessário.

Agosto de 2025 Capítulo 7

22 dias na Santa Casa

Depois da alta das Clínicas, conversamos com a neuropediatra que acompanhava o Rafa. Ela não concordou com a dosagem usada lá, aumentou corticóide e vigabatrina e nos reinternou na Santa Casa — de volta ao corredor que a gente já conhecia de cor.

Fizeram vídeo-eletroencefalograma (VEEG). Foram 22 dias: quase três semanas de café frio, plantão na cabeça e saudade do cheiro dele em casa. Cada alta assinada era alívio e medo ao mesmo tempo.

Outubro de 2025 Capítulo 8

Desmame do corticóide e as piscadas

Em outubro terminou o desmame do corticóide — um passo que parecia vitória. Pouco depois começaram umas piscadas estranhas. Levamos à primeira neuropediatra e ela disse que não eram crises.

Queríamos acreditar. Guardamos a dúvida no peito e seguimos observando cada gesto dele com lupa.

Novembro de 2025 Capítulo 9

EEG prolongado confirma as crises

A dúvida virou certeza em novembro, com um EEG prolongado para olhar de perto as piscadas: eram crises mesmo. Quem já desconfiava sentiu o chão tremer de novo — e, ao mesmo tempo, o alívio de não estar imaginando coisa.

Trocamos de neuropediatra. Mais uma vez recomeçamos a confiar em quem cuida do cérebro do nosso menino.

Dezembro de 2025 Capítulo 10

Corticóide em alta dose e nova ressonância

Em dezembro reiniciamos corticóide em altas doses, por um longo período — dias contando comprimido, efeito colateral e esperança misturados.

Refizemos a ressonância magnética. O laudo mostrou que o lado esquerdo do cérebro atrofiou. Lemos aquelas linhas várias vezes, tentando entender o que isso significava para o futuro do Rafa.

Janeiro de 2026 Capítulo 11

Paglioli e a cirurgia em pausa

No começo de 2026 voltamos ao Dr. Eliseu Paglioli. Ele descartou a cirurgia por causa da atrofia do lado esquerdo e levantou a possibilidade de algo degenerativo, genético ou autoimune.

É difícil descrever o silêncio depois de uma consulta assim. A cirurgia que parecia um plano ficou em pausa; ficamos com perguntas maiores do que as respostas.

Fevereiro de 2026 Capítulo 12

Fim do desmame do corticóide

Em fevereiro o Rafa terminou o desmame do corticóide outra vez. Parecia pequeno perto de tudo que já tinha passado, mas para nós foi mais um dia para respirar fundo e torcer para o corpo dele responder bem.

Março de 2026 Capítulo 13

Dr. Palmini e a cirurgia pela qualidade de vida

Em março de 2026 trocamos de neuropediatra de novo; ela ajustou as medicações e nos encaminhou ao Dr. Palmini.

Na consulta, ele foi direto e acolhedor ao mesmo tempo: o caso do Rafa seria cirúrgico sim — não como cura, mas para melhorar a qualidade de vida. Depois de tanto laudo e tanta incerteza, ouvir isso foi assustador e, de certo modo, um alívio: existia um caminho pensado para o nosso menino viver melhor.

Março de 2026 Capítulo 14

Neurogeneticista e o exoma

Ainda em março, seguimos a investigação com a neurogeneticista. Já tínhamos array negativo; fizemos focalização isoelétrica da transferrina e cariótipo com banda G — e, de novo, sem achado que explicasse o quadro do Rafa.

Então veio o pedido do exoma: um exame genético que lê a parte do DNA onde ficam as “receitas” das proteínas, em busca de alterações que os outros testes não mostraram. Mais uma espera — desta vez com a esperança de um nome, ou de descartar mais uma hipótese.

Março de 2026 Capítulo 15

Mesa de discussão cirúrgica na PUC

Fomos à mesa de discussão cirúrgica na PUC com o coração na mão. O Dr. Paglioli disse que aceita fazer a cirurgia se o lado esquerdo saír da atrofia.

O Dr. Palmini explicou a ele que essa atrofia se deu em longo período com altas doses de corticóide e que, se o quadro fosse degenerativo, o Rafa não estaria tendo os ganhos que está tendo. Saímos sem data marcada na parede, mas com um fio de esperança amarrado em cada conquista que vemos nele.

Abril de 2026 Capítulo 16

De volta à nossa primeira pediatra

No começo de abril de 2026 trocamos de pediatra de novo e voltamos para a nossa primeira pediatra — quem já conhecia o Rafa desde o início da jornada. Depois de tantas portas novas, ter alguém que lembra da história toda trouxe um pouco de chão debaixo dos pés.

9 de abril de 2026 Capítulo 17

Santiago, o irmão do Rafinha

No dia 9 de abril de 2026 o Rafinha ganhou o irmão Santiago — um novo anjo na nossa família. Não foi só mais um nascimento: foi a certeza de que o Rafa teria ao lado um companheiro para crescer junto, brincar, descobrir o mundo e, no tempo certo, cuidar e ser cuidado.

Acreditamos de coração que essa irmandade vai ajudar o Rafa a se desenvolver como irmão e como pessoa — com mais estímulo, mais presença e mais vida em casa do que qualquer exame consegue medir. A caminhada do Rafinha continua; agora, com o Santiago, ela ganhou um capítulo de luz.

“Não escolhemos essa jornada — mas escolhemos amar, lutar e acreditar todos os dias.”

— Família do Rafinha

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